Jan 26

Praxes, idiotices e a lei

Praxes, idiotices e a lei

Nunca fui um fervoroso da praxe. Fui praxado em Engenharia e fiz questão de ser praxado em Direito. A primeira foi uma praxe fisicamente exigente, com atividades pouco ortodoxas. Foi diária até dezembro – a partir de certo momento, só procurava escapolir. Como disse, nunca fui um adepto fervoroso. A segunda praxe durou uma semana. Não foi dura, foi ortodoxa. Da primeira praxe recordo-me com saudade; da segunda, pouco me lembro.
Estes dias, parece ter virado moda (ou popular, ou populista) falar mal da praxe. Que mata, que humilha, que promove estilos de vida pouco saudáveis…
A praxe mata! Da mesma forma que cozinhar mata. Com idiotice q.b., quase qualquer coisa mata!
A praxe humilha! É uma realidade. Como é um facto que há quem utilize a praxe para exercer uma autoridade que em nenhuma outra esfera da vida o consegue fazer. E, não acho defensável o argumento de que a praxe nos torna melhores e nos ensina a vida. Mas, a praxe é voluntária e quem se deixar sentir humilhado, não deverá permitir que tal aconteça.
A praxe promove estilos de vida pouco saudáveis! Entrei na praxe abstémio, saí da praxe abstémio. Nunca bebi, nem fui forçado a fazê-lo. Olhando-se para as nossas escolas secundárias, olhando-se para as nossas televisões, não se pode ser sério e afirmar que aquilo que promove estilos de vida pouco saudáveis é a praxe.
Fala-se de uma lei para proibir a praxe. Entenda-se que aquilo que é ilegal (nomeadamente aquilo que é crime) fora da praxe, também o é dentro da praxe. Não consigo conceber como se pode defender uma lei que pretenda proibir um ajuntamento em que algumas pessoas, a ordem de outras mas voluntariamente, fazem umas macacadas. A lei não é solução para tudo… E, claramente, não será solução para a idiotice.