Nov 14

Paris, terroristas e refugiados

Com grande pesar, os nossos pensamentos deverão estar com os familiares e amigos das vítimas dos ataques de ontem em Paris. Os criminosos devem ser perseguidos e julgados pelos crimes cometidos de natureza terrorista. Toda a estrutura que suportou a sua atividade deve ser investigada e destruída, todos os implicados deverão ser julgados. Deverão ser tomadas medidas para que atos semelhantes não venham a ocorrer. Contudo, tais medidas devem respeitar o princípio da proporcionalidade e não passar pelo habitual sacrifício (quase total) do valor da privacidade. Nunca nos esqueçamos que o valor da privacidade é fundamental para a nossa real liberdade.

Quanto às já inteligentíssimas relações feitas entre os ataques de ontem e a vinda de refugiados para a Europa:
1- Neste momento, desconhece-se a identidade dos autores dos ataques terroristas, que poderão ser franceses – nascidos e criados;
2- Atentado de Paris (1995); Atentados do 11 de setembro (2001); Atentado de Madrid (2004); Atentado de Londres (2005) – todos ocorreram enquanto não existia a atual “crise dos refugiados”;
3- Esta é uma boa oportunidade para tomarmos consciência do que (e porque) fogem os refugiados;
4- O terrorismo não é o Islão. O Islão não é terrorismo. Como não é a violação dos direitos humanos, direitos das mulheres, etc. Isso pertence aos extremistas, que não devem ser confundidos com o todo, nem sequer com a generalidade. Não perceber isto, é ser-se fortemente ignorante;
5- A tarefa da Europa continua a ser, no respeito pelas pertinentes regras, nomeadamente de segurança, encontrar soluções para o respeito pela dignidade humana dos refugiados, o que passa também pelo acolhimento, proteção e colaboração na sua busca por uma vida digna – aqui ou, quando possível, nos seus países de origem.
Por isso, creio que ligar a ação de lunáticos de ontem em Paris à chegada de refugiados à Europa, apesar de ser a leitura mais simples (e boçal), é de uma idiotice atroz.

A Europa plural, tolerante, de defesa dos direitos humanos, é aquela em que continuo a acreditar. É aquela que, independentemente do que sofra, deve prevalecer.